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RELATO – Bicicletada 25 de março de 2011 22/04/2011

Posted by MarcosNi! in Bicicletada.
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Os números me escapam, mas as palavras não.

Não sei – nunca soube ao certo – quantos pedalaram, ou “remaram” (um “patineteiro” nos acompanhou com muita energia durante todo o percurso, num incansável vai e vem entre panfletar aos motoristas e passageiros e a realização de impressindíveis e incontáveis “corkings” [“rolhas”]). Sei que o número cresceu, e diminuiu, durante as 2 horas e 15,3km de pedal* . Lembro também que alguns participaram apenas da concentração, vieram de bicicleta, à pé ou simplesmente se aproximaram curiosos com a aglomeração de bicicletas, homens e mulheres numa Cinelândia ainda quente de mais um dia de trabalho.

Recordo-me de pessoas e suas bicicletas como se fossem uma coisa só, antigos participantes há muito distantes, amigos recém apresentados, surpeendentes acréscimos arregimentados em bicicletadas anteriores, e o já sempre bem vindo, ciclista passante de última hora. Muitos ali estiveram também no “Protesto-Bicicletada ExtraOrdinária” de 2 de março e precisávamos costurar algumas idéias e críticas que surgiram (n)daquele portentoso acontecimento.

Muito foi dito e, mais importante, tudo foi ouvido.

Ressaltou-se o caráter pacífico, pró-diálogo da Bicicletada diante dos automóveis e seus motoristas que, como nós, “fazem” o trânsito nosso de cada dia. Nosso objetivo, seria então, a transformação da nossa realidade/cidade através das nossas ações críticas e conscientes dessa mesma realidade. Algumas violências ocorridas no “Protesto-Bicicletada ExtraOrdinária” de 2 de março, foram citadas e foi entendimento geral que a Bicicletada Rio de Janeiro é, antes de mais nada, um movimento horizontal que busca através do diálogo e de uma relação respeitosa, ter garantida a sua segurança e bem estar ao usar bicicleta (ou patins, skate, patinete, chinelo havaianas, etc.) para se locomover na cidade. (é claro que isso faz parte de uma realidade social muito mais ampla, mas isso é outro papo)

Conversamos sobre o funcionamento da Massa Crítica, enquanto organismo vivo ao percorrer as ruas da cidade. A necessidade de ficarmos atentos ao grupo e ao (bom) funcionamento deste, sem deixar que fique muito disperso, garantindo a segurança nos cruzamentos (“corking” ou “rolha”), os mais experientes se mantendo junto aos carros, atrás e à frente, permitindo um pedal mais tranquilo para as pessoas que não estão acostumadas a pedalar no trânsito, etc

Outro assunto abordado foi com relação à divulgação da Massa Crítica, quando foi questionada a prática do uso de panfletos, que tem pouca utilidade e são comummente descartados após a leitura, gerando ainda mais lixo nessa nossa metrópole, e começamos a refletir sobre outros formatos: camisetas, adesivos, broche/pin, ímas de geladeira, “spoke cards” (cartões de raio). É claro que, na produção destes, há um custo mais elevado que na fotocópia de panfletos, mas a durabilidade e o impacto destes pode ser maior. Fazendo uma “vaquinha”, poderíamos produzir e vender à preço de custo, ou até presentear com um belo adesivo escrito [ciclista, eu respeito] aos bons motoristas que encontrássemos durante a Bicicletada.

Falamos também do ponto de encontro da Bicicletada. Desde o fim de 2009, o ponto de encontro/partida, mudou de Botafogo para a Cinelândia, com o intuito de propiciar um aumento na participação de ciclistas da Zona Norte e Tijuca. Embora essa mudança tenha proporcionado alguns importantes acréscimos (muitas vezes esporádicos) à Massa, e ela tenha crescido consideravelmente, em especial do ano passado pra cá – muito embora não possamos relacionar este acréscimo diretamente à esta mudança -, algumas pessoas questionam a eficiência num pedal cujo trajeto tende a se manter nos arredores de um Centro quase vazio, um desfile para pedestres cansados e trabalhadores à descansar numa mesa de bar. Cabe lembrar que quase a totalidade dos participantes dessa Bicicletada residem na Zona Sul, no entanto bem menos da metade considera alterar, nesse momento o nosso ponto de encontro.

Buscando o fortalecimento da Massa, e apresentado como uma solução para essa última questão, seria a promoção dos “bondes”. Esses “bondes”** sairiam de alguns pontos chave, para que juntos chegassem com mais segurança e, acima de tudo, em boa companhia, à Cinelândia. Essa prática nos aproximaria dos ciclistas de nossos bairros, que muitas vezes cruzamos pelas ruas, mas nunca conhecemos de verdade.

***  º  ***

Esse relato pessoal chega aos vossos olhos com um bocado de atraso. Por isso, me desculpo. Já pelos erros de concordância, não há desculpa.

“Pedale diariamente, celebre mensalmente”

Amplexos ciclísticos,

MarcosNi!

* Segundo maior trajeto de todos os tempos (os mais antigos confirmam isso?!): 15.3km em 2h – mapa do percurso no Google Maps (De acordo com um, nada menos que, ilustre participante, o maior trajeto teria sido na Bicicletada de dezembro de 2009, com 9 participantes, com 16.7km.)

** Gosto muito do termo “bonde”, que não entendo como o mesmo que em “bonde do tigrão”, simples aglomerado de pessoas com um objetivo comum e péssimo gosto musical <inserir risadas>, mas como no uso em inglês “bus”, “ônibus”. Curiosamente só percebi isso durante essa Bicicletada. Eu explico. Estava eu, tranquilo, conversando livremente com quem aparecia do meu lado, admirando tudo à minha volta, os gritos e risos de pessoas como eu, as pessoas olhando incógnitas das calçadas, e senti uma sensação que há muito não sentia: Eu estava num ônibus escolar. Era isso. O prazer de se pedalar em grupo, tão tranquilo e alegre, tão diferente dos pedais diários repletos de fechadas, finas e buzinadas, me pareceu tão seguro quanto me sentia, na mais tenra infância, quando ia pra escola com ônibus escolar. Em alguns países, é comum que crianças e jovens vão para escola em “bondes”, às vezes acompanhados de 1 ou mais adultos. Como na Massa Crítica, um bloco de aço e carne, precisamente estruturado em todas os seus imprescindíveis componentes mecânicos e a contagiante alegria de quem “se encontra” em cima de uma bicicleta.

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