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Relato Bicicletada Junina (com participação especial da Cyclophonica) 02/07/2011

Posted by MarcosNi! in Bicicletada, Relato, Rio de Janeiro.
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por Eduardo PSilva

 

Era ainda maio, faltava 1 mês, 4 semanas, para ser mais exato, até a Bicicletada seguinte, e eis que surge uma dúvida: a Bicicletada de junho cairia no meio do feriadão de Corpus Christi (nesse ano seria dia 23 de junho, uma quinta), deixando a última sexta-feira do mês de junho, o propício 24 de junho, dia do nascimento de São João Batista. “Será que teremos quorum?”, alguns perguntaram. Outros cogitaram trocar a data da Bicicletada para evitar um esvaziamento desse movimento que vem crescendo continuamente desde o início do ano. Por fim, decidiu-se manter a (quase) universal “última sexta-feira do mês”.

A adesão ao evento no Facebook foi bem menor que a do mês de maio, 39 contra 90 pessoas “presentes”. Mas como diria aquele famoso personagem holiwoodiano, “a vida é como uma caixa de chocolates”.

Mas essa contagem, bem, essa contagem não vale de muita coisa, não é?!

Voltemos um pouco no tempo: 4 dias antes da Bicicletada, dia 20 de junho, 5 dias após começarmos a discussão com a Cyclophonica para compormos, em julho, a “Bicicletada Especial Musical” (ou “BEM”, nome provisório), com fôlego redobrado pela sua animada intervenção Cyclophonica em Santa Teresa no dia 19, se propuseram a acompanhar a Bicicletada também neste mês.

Corta! Adianta um pouco até as 18:35, Cinelândia, dia 24 de junho.

Éramos poucos, talvez uns 5, mas já estávamos às voltas com alguns poucos metros de emboladas bandeirinhas de papel a prender em árvores e poste próximos ao local onde temos nos reunido mensalmente, aquele agradável canteiro perto da banca de jornal, na altura do cinema Odeon.

O número foi crescendo, as conversas fluindo, a saudade que timidamente se instalou naquelas últimas semanas, embora talvez nem tivesse sido percebida, se desfaz aos poucos, com os abraços e as risadas de nossos pares. Claro, como de costume, tínhamos alguns novos integrantes: que estiveram apenas na Bicicletada Extraordinária, que conheceram a Massa Crítica em Buenos Aires e lá mesmo tem participado, que constroem a Massa de São Paulo há muitos anos, e alguns que nunca tinham ido mesmo…

O tempo passava e nem sinal da Cyclophonica. Dois ciclistas se prontificaram a ir em seu encalço e pouco tempo depois voltavam com os heróis musicais que aguardávamos.

Daí, foi festa. Como numa ciranda em torno do canteiro que apoia nossas bicicletas (nossa “fogueira”), deram incontáveis (para não dizer “estonteantes”) voltas, à tocar os mais diversos instrumentos de sopro e percussão, embalando os ciclistas e o público passante num enebriante transe pueril. Os músicos alegres em suas dobráveis charmosas dobrando o ar com suas notas e acordes e nós, meros ciclistas que, quando muito lançamos o tilintar de nossas buzinas ao trânsito, admiravamos a maestria dessa orquestra de câmara, a única de seu gênero.

Fim do primeiro ato.

Cessada, momentaneamente, a música, decidimos um trajeto: iríamos até a Tijuca, saborear a famosa empada da Salete, para na volta passarmos na Gamboa onde estaria acontecendo um Arraiá.

Em companhia da Orquestra, cruzamos a Lapa até a Praça da Cruz Vermelha, de onde após um lindo encerramento da sua quase improvisada participação saímos rumo à Tijuca, sem contar com a enérgica Orquestra, salvo 2 de seus integrantes que conosco seguiram até o fim.

Ufa, e que delícia de pedal até o Restaurante da Salete (o nome do restaurante vem daqui), mas não mais delicioso que saborear as empadas, bolinhos de bacalhau e demais iguarias no restaurante. Nem sei quanto tempo lá ficamos. Sei que deu tempo para comer, beber, conversar e preparar a alma e o corpo para o previsto retorno.

Eis que no meio do caminho, uns movidos pelo cansaço, outros espremidos pelos destemidos ponteiros do relógio, mudamos o roteiro e regressamos, sem Gamboa nem Arraiá, ao nosso ponto de partida, e de encontro, nossa “BiCinelândia”.

Uma salva de palmas auto-coroou nossa triunfante Massa Crítica, que à cada dia, mostra-se mais frondosa e unida.

De lá, alguns seguiram noite à dentro, atrás de aventuras mil, outros, não menos audaciosos, retornaram aos seus lares, em busca de um bom banho quente e, se lhe apetecesse, um belo prato de comida.

E todos viveram felizes para sempre… Ou quase!

É claro que tivemos problemas. Creio eu, que o mais grave, mais uma vez, foi a falta de uma conversa preliminar à cerca do funcionamento da Bicicletada. Os novos participantes, assim como os antigos, merecem a chance de conhecer, redescutir e construir a Massa Crítica Rio de Janeiro à cada encontro. Essa necessidade continua não incorporada ao funcionamento da concentração e cabe à todos nós  defendermos o seu espaço e sua importância na construção desse movimento.

Ao conversar com nosso visitante de São Paulo, questionou-me se não utilizávamos panfletos (atividade vista por ele com muito bons olhos, na qual participa ativamente na Massa de SP) para a divulgação da Bicicletada, esclarecimento quanto o seu funcionamento, seus objetivos, etc. Instigado pela sua pergunta, volto com este assunto à tona. Qual será a forma utilizada pela Bicicletada e, por que não, individualmente por seus integrantes, de divulgação da Massa e da bicicleta enquanto meio de transporte viável em nossa cidade?! Existe sim a questão do lixo gerado com a distribuição de panfletos, assim como a idéia de produzirmos adesivos, camisas, e outros bens mais duráveis, e aí?! O que faremos? Como faremos?

Bom, essas são algumas provocações que jogo ao vento. Só o tempo dirá que frutos elas trarão…

O que?! Está ainda curioso pra saber quantos foram nessa Bicicletada animadíssima?! Bem, eram cerca de 17 na Cyclophonica que, somados aos outros participantes, chegaram à 45 pessoas. Ainda faltam 6 encontros ordinários até o final do ano, quem sabe, até lá, não chegamos aos almejados 3 dígitos?! Soube que em São Paulo, o salto quantitativo se deu de forma parecida, numa eram 50 e na seguinte mais de 100… Isso me lembra a estória do “centésimo macaco” que li há muitos anos atrás e pipocou na minha memória esses dias… Quem sabe não tocamos pessoas suficientes para que através da “ressonância mórfica” a Bicicletada não se torne um evento indissossiável da nossa Capital das Bicicletas?!

Nos vemos nas ruas,

MarcosNi!

Post Scriptum: Cerca de 24 horas após a nossa saída, já não havia vestígios da nossa festa pagã na biCinelância: nenhuma bandeirinha restou a bailar com o vento. Levemos as bandeirinhas conosco, junto com a música que nos cercou e os gritos que nós brandimos à Cidade.

PEDALADA: “As cidades somos nós – desenhando a mobilidade do futuro” 30/01/2011

Posted by MarcosNi! in Pedalada, Rio de Janeiro.
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EXPOSIÇÃO: “As cidades somos nós – desenhando a mobilidade do futuro”, no Centro Cultural dos Correios  (atrás do CCBB)
ABERTURA: 4ª feira, 2 de fevereiro às 19h

sobre a exposição: A exposição, que veio de Nova Iorque e percorrerá várias cidades do globo, trás arte e conhecimento, com vários seminários ligados à questão da mobilidade e artistas locais e estrangeiros expondo seus trabalhos. Tem mais informação sobre a exposição na página de eventos do Green Building Council Brasil.

PEDALADA: Saída da Pedal2 (Rua Correia Dutra 16b, Catete, tel: 2225-3502) às 19h até o Centro Cultural dos Correios (lá terá paraciclos)

o porquê da pedalada: Essa exposição tem tudo a ver com a causa da Bicicletada: mobilidade. E quando digo “mobilidade”, falo do todo, do termo em seu aspecto mais amplo, da cidade, sua estrutura, seu uso, as relações pessoais que se desenvolvem nessa (e desenvolvem essa) cidade. Acho uma ótima forma de chamarmos atenção para o Movimento da Bicicletada, comparecermos em massa, de bicicleta, à Exposição, em especial à abertura, que costuma ter cobertura da imprensa.

Convoquem, divulguem e compareçam!

PS: O que acham dessa ser a 1ª BICICLETADA EXTRAORDINÁRIA de 2011  ?!?!

Relato da Bicicletada de janeiro/2011 29/01/2011

Posted by MarcosNi! in Bicicletada, Rio de Janeiro.
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Já passa da meia noite, cheguei em casa agora (depois de várias paradas, desvios e encontros). Minha brava magrela está na sala, firme e forte. Eu, depois de tanto tempo sem pedalar, e de pedalar por tanto tempo, sinto alguma dor, mas a vibração da 1ª Bicicletada de 2011 continua a me embalar e deixo pra sentir as dores amanhã.

Cheguei na Cinelândia às 18:15. Faltava 1:15 pra hora combinada da saída e eu já estava me sentindo como uma criança, esperando os pais na porta de casa para ir ao parquinho. Como sempre, não sabia o que esperar e enquanto esperava, sem esperar, esperava apenas. Tinha distribuido algumas dezenas de panfletos da Bicicletada, falado com vários amigos ciclistas, mas sabe como é: sexta-feira, calor, “Carnaval” (chegamos à conclusão que, no Rio, o Carnaval começa no Reveillon e vai até a semana santa)…

Mas, aos pouquinhos foram chegando, gente de tudo quanto é jeito e de todo lugar, e embora essa gente não chegasse aos montes, chegara forte, como quem chega pra ficar. E, quando vi, éramos 12. “Auspicioso”, pensei comigo mesmo… Há muito não quebrávamos a barreira dos 2 dígitos e já começamos o ano de 2011 com 11 participantes (1 foi à concentração mas teve de sair antes por conta de um compromisso). Desses 11, estávamos num bom equilíbrio numérico: 4 mulheres e 7 homens, 6 que já haviam participado e 5 novas vozes no coro por uma cidade mais humana.

O trajeto? Arpoador! Foi um longo pedal, 1 hora e 10 minutos de duração…

… e foi delicioso. Muitos gritos e muitos risos, mas principalmente, muitos encontros. Se “a vida é a arte do encontro”, como bem quis Vinícius de Morais, a Bicicletada há de ser um lugar (no espaço e no tempo) muito propício para esses encontros. Nos encontramos com nossa cidade, com nossos pares e com nós mesmos. Quando ocupamos as ruas – montados em nossas máquinas de propulsão humana, esses alazões metálicos, com o coração aberto e a mente livre – nós colocamos toda a organização urbana, da qual fazemos parte, em cheque. Percorremos ruas como quem abre caminhos nessa densa selva de pedras e mostramos aos motoristas e transeuntes algo de novo, uma nova forma de se relacionar, um meio diferente de se fazer ouvir e de viver a mudança que queremos no mundo.

Escrevi no relato de dezembro, “2011 nos espreita como um ano qualquer, mas faremos dele um ano inesquecível.”, o ano chegou e a sentença começa a se cumprir.

Ouso, pois ousado me criei, lançar um desafio à nossa Bicicletada: promover, até o final do ano, algum evento ciclístico que chegue aos 3 dígitos em número de participantes.

Ouso propor, mas ouso mais ao partir pro ataque, então boa noite, que a fome é grande e o sono ainda não chegou,  o dia amanhã é de trabalho e o ano é looooooooooongo e promissor.

Amplexos nossos,

MarcosNi!

Primeira Bicicletada do Ano 26/01/2011

Posted by bicicletadario in Bicicletada, Rio de Janeiro.
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Não perca a primeira Bicicletada no ano.

Como de costume na última sexta-feira do mês. Dia 28/01.

Encontro às 18:30 na Cinelândia (em frente ao Cine Odeon).

Abraço a todos.

Relato da Bicicletada de dezembro/2010 31/12/2010

Posted by MarcosNi! in Bicicletada, Rio de Janeiro.
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QUATRO

1 – 4 membros do corpo humano
2 – 4 pontos cardeais
3 – 4 estrelas no Cruzeiro do Sul
4 – 4 dimensões do Universo

Dia 28 de dezembro de 2010, terça feira chuvosa, 18 horas e 30 minutos (horário de Brasília), centro da cidade do Rio de Janeiro, Cinelândia, em frente ao ODEON. Quatro ciclistas conversavam livremente, riam livremente e se conheciam livremente. Não sei se isso já foi dito, mas “toda Bicicletada é sempre uma nova Bicicletada”. É como se estivéssemos indo pela primeira vez, com um certo medo do desconhecido e as mesmas dúvidas de sempre:

– “quem será que vai dessa vez?”
– “como serão eles?”
– “que caminho iremos seguir?”
– “que idéias e propostas irão surgir para construirmos um movimento forte e coeso?”

A chuva descia com pouco caráter, bipolar, ora impiedosa como uma manada de búfalos, ora delicada como num filme koreano. Esperávamos, mas sem esperanças (visto que, embora românticos – todo ciclista urbano tem um quê de romântico, ou de fatalismo, é verdade, o que não deixa de ser um tremendo romantismo – somos acima de tudo realistas e sabemos que carioca e chuva não se misturam [ou se misturam?!]) por outros pares, pares ciclistas, pares urbanos, pares românticos, apenas pares. Esperando apenas, o tempo passou livremente. Definimos um trajeto e pedalamos os 4 livremente, atravessando um Centro cansado do ano que passou e molhado da chuva que teimava em descer.

Nos despedimos na Lapa e seguimos aos pares. Um par, esse romântico e ciclistico, seguiu para casa. O outro seguiu ao ponto de partida e em frente ao ODEON, fechando esse ciclo, e o ano, conversaram um monte sobre bicicletas, cidades e pessoas. Dividimos projetos e sonhos e juramos companheirismo e colaboração.

2011 nos espreita como um ano qualquer, mas faremos dele um ano inesquecível.

UM novo ciclo da Terra em torno do astro rei, 12 meses para 12 bicicletadas oficiais (quem sabe quantas extraordinárias teremos?!), 365 dias para pedalarmos cidade adentro, e afora, e tomá-la de assalto, 8.766 horas para investirmos em nós mesmos, e para que nos 525.960 minutos de 2011, cultivemos relações mais positivas com os que nos cercam.

Faltam ainda 33 horas para 2011, mas começo agora mesmo a reinventar-me, queimo a largada conscientemente pois sei que o tempo não espera e a linha de chegada só existe no fim do arco íris.

amplexos ciclísticos,
MarcosNi!